domingo, 5 de janeiro de 2014

A crônica dos 4 passinhos.


Hoje eu vi uma criança que aprendia a andar, era tão entusiasmante quanto um peixe em um aquário. Somente uma coisa diferenciava as duas situações: a criança trazia consigo uma lição de vida que eu creio ter percebido. Se é que é mesmo uma lição de vida.
Ela saia dos brações de sua mãe e percorria um espaço de pouco mais de 1 metro, até os braços do pai. Eram 4, as vezes 5 passos, pequenos passos que na hora eram certamente o maior desafio que ela enfrentara.
Em sua primeira tentativa, muito cautelosa, ela deu 3 passos vagarosamente até que caiu. O pai logo a agarrou pelas costelas impedindo assim sua queda ao chão. Em meados da quarta tentativa ela já não sentia o receio da primeira. E seus 4 passinhos eram velozes, e em seu rosto havia um lindo sorriso sem dentes, uma gargalhada bela que me cativava. Talvez fosse por saber que não havia perigo, ou simplesmente por conseguir aqueles quatro passinhos. Não sei, juro, mais ela batia palmas da maneira que se comemora um gol em um clássico toda vez que chegava aos braços de forma segura.
Eu estava ali, a observando de longe, com as lagrimas pedindo permissão para saírem de meus olhos. Eu não deixei, talvez por orgulho, e elas insistiam, mais eu não deixei.
Lembram-se do peixe do aquário? Ocorreu-me agora que eu era apenas o peixe observando o humano, e não pense você que não vi sentido naquela criança sorridente que dava 4 passinhos pra lá e mais 4 ou 5 pra cá. Eu vi sim, vi que ela teve paciência, e que de 4 em 4 passinhos daqui a pouco ela caminhará pelo mundo. Ela nunca saberá que eu estive ali, mais eu em meu descanso, 7 palmos abaixo dela, ainda saberei que enquanto ela aprendia algo que eu já sabia há muito tempo, acabou me ensinando algo que eu não tinha há muito mais tempo.

A paciência.

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