quinta-feira, 8 de março de 2012

O Amor e o Sábio

Disse o Amor ao Sábio:
_ Te procuro há muito caro Sábio!
_ Sou certo que sim meu senhor.
_ Porque foges tanto de mim?
Paciente como sempre o Sábio responde.
_ Dizem que tu nos mostra duas faces cruéis.
_ É isso que dizem? Questionou o Amor.
_ Apelidaram-te até meu senhor.
_ Imaginei que sim. De quê?
_ Dom Sem Si Próprio.
_ Inusitado eu diria.
_ Apropriado, meu senhor, eu corrigiria.
Com um olhar tangente o Amor pergunta:
_ Eles transparecem tanto medo assim ?
_ Não é medo que reluz, é tristeza. A mais pura e dolorosa.
_ Estes tolos não intendem meu propósito!
_ Senhor, alguns receiam que não estão tristes por lhe intender, mais sim por lhe permitir.
_ Lhe digo caro Sábio; Não acredite em tudo que ouvirdes, tão pouco se provirem de terceiros.
Cabisbaixo o Sábio responde.
_ Não acredito caro mestre.
_ Pois deu a intender que creste neles!
_ Não outorgue palavras por mim, por favor.
_ Permita á mim te acompanhar?
_ Sabes o porque me chamam de Sábio senhor?
_ Não, porem sou paciente. Conte-me. Disse o Amor.
Com olhar perdido ao horizonte o Sábio declama:
_ Porque a tempos tu persegue-me, a mais tempo ainda,
eu fujo de ti.

quinta-feira, 1 de março de 2012

inércia


Grande coisa és tu, que liga e entristece.
Pois isso até eu sem ti o faria melhor
Se tua missão é sempre esta meu caro
Ponha-te fora de minha retina

Não me diga como sofrer
Isso, creio eu, ainda sei fazer bem.
Não quero que te metas onde é desejado
Tão pouco se tal lugar for meu coração

Procure outro para saciar-se
Não olhes á mim como um alvo
Pois tua peçonha conheço bem
Até de olhos cerrados

Mando á ti o meu pesar
E junto ond’encontro-me.
Mire bem teus olhos malditos
E não perca-me jamais de vista.
Pois um dia hei de mudar:

Ás beiradas da loucura
Esquina dos amantes
Perfeito número sete
Ao pais da insanidade.

Grato por assim dizer, ao Amor.
De quem te espera sempre
Incansavelmente em inércia
Para mero devaneio de fugir-te ás amarras.