Hoje eu vi uma criança que aprendia a andar, era tão
entusiasmante quanto um peixe em um aquário. Somente uma coisa diferenciava as
duas situações: a criança trazia consigo uma lição de vida que eu creio ter percebido.
Se é que é mesmo uma lição de vida.
Ela saia dos brações de sua mãe e percorria um espaço de
pouco mais de 1 metro, até os braços do pai. Eram 4, as vezes 5 passos,
pequenos passos que na hora eram certamente o maior desafio que ela enfrentara.
Em sua primeira tentativa, muito cautelosa, ela deu 3 passos
vagarosamente até que caiu. O pai logo a agarrou pelas costelas impedindo assim
sua queda ao chão. Em meados da quarta tentativa ela já não sentia o receio da
primeira. E seus 4 passinhos eram velozes, e em seu rosto havia um lindo
sorriso sem dentes, uma gargalhada bela que me cativava. Talvez fosse por saber
que não havia perigo, ou simplesmente por conseguir aqueles quatro passinhos.
Não sei, juro, mais ela batia palmas da maneira que se comemora um gol em um
clássico toda vez que chegava aos braços de forma segura.
Eu estava ali, a observando de longe, com as lagrimas
pedindo permissão para saírem de meus olhos. Eu não deixei, talvez por orgulho,
e elas insistiam, mais eu não deixei.
Lembram-se do peixe do aquário? Ocorreu-me agora que eu era
apenas o peixe observando o humano, e não pense você que não vi sentido naquela
criança sorridente que dava 4 passinhos pra lá e mais 4 ou 5 pra cá. Eu vi sim,
vi que ela teve paciência, e que de 4 em 4 passinhos daqui a pouco ela
caminhará pelo mundo. Ela nunca saberá que eu estive ali, mais eu em meu
descanso, 7 palmos abaixo dela, ainda saberei que enquanto ela aprendia algo que
eu já sabia há muito tempo, acabou me ensinando algo que eu não tinha há muito mais
tempo.
A paciência.